Essa não é uma historinha de conto de fadas, mas sim o relato de uma experiência bem sucedida com os habitantes desse jardim, e que ainda causa um certo espanto aos que não acreditam no princípio de consciência inteligente que rege outros reinos da natureza (e que podem se comunicar conosco!).

Certa vez tive uma infestação de lesmas na minha horta fora do normal. Elas sempre habitaram o pátio, mas nunca de forma tão devastadora. Não havia folha verde que escapasse, nenhum pé de alface nascia mais. Eram tantas que em dias de chuva eu as encontrava dentro de casa!

Resolvi tomar uma atitude. Todas as noites eu pegava a minha lanterna e ficava um bom tempo catando as lesmas que passeavam por cima do canteiro e das plantas. Depois disso preparava armadilhas e recolhia as capturadas pela manhã. Irracionalmente e sem o menor remorso eu matava todas elas, e ainda achava que estava fazendo bem, pois ao menos era contra o uso de venenos e assim estava sendo “ecológico”.

Absorto nessa idéia, já era uma rotina chegar da aula às 23h30, pegar a lanterna, um potinho e ir para o canteiro…

Parecia que quanto mais eu matava lesmas, mais elas apareciam! Para o meu espanto elas já surgiam grandes, como se a chacina realizada todos os dias as alimentasse, cada vez eram lesmas maiores e em maior quantidade! Surreal!

Já estava quase desistindo da horta, do jardim, de tudo, até mesmo cogitando a possibilidade do uso de veneno, foi quando tomei conhecimento do trabalho da Dorothy Maclean (que veio fazer palestra e workshop na minha cidade), ao mesmo tempo que alguém me emprestou um livro da veterinária Sheila Waligora.

As experiências e ensinamentos dessas pessoas diziam respeito a um aspecto primordial esquecido pela humanidade, muito lindo e muito importante para os dias de hoje: a nossa comunicação e relacionamento com outros reinos da natureza.

À medida que fazia esses estudos e compreendia o seu significado, tive a forte sensação de amplitude e leveza, como se a minha cabeça tivesse sido aberta e expandida (mas isso é uma outra história).

A minha primeira prática após esses estudos foi, obviamente, com as lesmas. Em primeiro lugar, deixei de odiá-las, sinceramente. Depois, simplesmente “negociei” onde elas poderiam ficar no jardim, o que poderiam comer e o que não poderiam. Claro que nunca mais matei nenhuma. Eventualmente recolhia uma leva delas  (pois ainda era uma super densidade populacional) e as levava vivas e em segurança para um local onde pudessem sobreviver: na praça!

A resposta foi surpreendentemente rápida, em poucos dias deixei de ver lesmas passeando no pátio e as alfaces e rúculas voltaram a crescer!

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